Histórico do Gás Natural no Mundo

Desde o seu nascimento, no final do século XVIII e durante todo o XIX, a indústria de gás manufaturado a partir de carvão mineral dirigia-se quase que exclusivamente a iluminação dos principais centros urbanos da Europa, Estados Unidos e algumas outras cidades em países menos desenvolvidos. (1) Essa indústria marcou o início do uso dos gases combustíveis e foi responsável pelo desenvolvimento das primeiras redes de distribuição nas cidades.

Em meados do século XIX, o gás manufaturado começou a ser substituído pelo gás natural. A nova indústria, nascida nos Estados Unidos na segunda metade do mesmo século, veio acompanhada pelo desenvolvimento de métodos, tecnologias e infraestrutura para uma verdadeira revolução na construção de grandes gasodutos de aço. Esses sistemas foram fundamentais para a difusão do gás natural em diversos mercados, como o residencial e o industrial (1).

Esse foi o primeiro passo para a inserção do gás natural na matriz energética mundial. Atualmente, o combustível é responsável por 20,9% da oferta de energia global (2).
 

Estrutura da oferta de energia, Mundo, 2010
Oferta Interna de Energia: 12.150,0 - 106 tep
Fonte: IEA, 2011: 6

 

A perspectiva é que essa participação continue crescendo nos próximos anos. Segundo o cenário de referência do estudo World Energy Outlook de 2006, da Agência Internacional de Energia (AIE), até 2030 mais de 80% da demanda global de energia será por combustíveis fósseis. O gás natural apresentará a maior taxa de crescimento anual, de 2,0% (3).
No cenário alternativo da AIE, ao longo do período 2004-2030, a taxa de crescimento médio anual do consumo de energias fósseis será de 1,1%, abaixo daquela do consumo total de energia, 1,2%, o que requererá um aumento bem maior, de 1,9% ao ano, para o conjunto de energias renováveis e nuclear (3).
Considerando os dois cenários, o gás natural será a única fonte de energia fóssil que apresentará uma expansão anual média superior àquela do consumo total de energia. Entre as energias fósseis, a participação do GN aumentará de 25,5% em 2004 para 27,9% em 2030 (no Cenário de referência) e 28,5% (no Cenário alternativo) (3).

Referências:
(1) Santos, E.M. et al. Gás natural: estratégias para uma energia nova no Brasil. São Paulo: Annabume, Fapesp, Petrobrás, 2002.
(2) International Energy Agency - IEA. Key World Energy Statistics, 2011.
(3) Santos, E. M. et al. Gás natural: a construção de uma nova civilização. Revista de Estudos Avançados, Universidade de São Paulo, São Paulo, n.59, 2007.